Deepfake de Nicolás Maduro é alerta para 2026

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Deepfake de Nicolás Maduro é alerta para 2026

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Camila de Lira

5 minutos de leitura

A captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro pelo governo dos Estados Unidos foi a amostra das incertezas que veremos em 2026. E não é só em termos geopolíticos, como também em termos de caos da pós-verdade.

No calor do momento, impulsionados pela falta de fatos concretos sobre a ação surpresa de Donald Trump e pela sofisticação dos sistemas de inteligência artificial generativa, até mesmo jornalistas compartilharam deepfakes. Circulavam vídeos de supostos bombardeios em Caracas e fotos de Maduro sendo escoltado por militares norte-americanos. Todos falsos.

A fotografia do presidente venezuelano, criada a partir da manipulação de imagens que já existem de Maduro, enganou verificadores experientes. Tendo em vista que 2026 será ano de eleições presidenciais no Brasil e em outros 40 países no mundo, o prognóstico não é nada bom.

“Assim como a crise climática, a crise da desinformação vai piorar antes de melhorar”, afirma o jornalista, filósofo e futurista sueco Andreas Ekström. Especialista em humanidades digitais há mais de duas décadas, Ekström analisa como grandes plataformas (especialmente o algoritmo do Google) moldam comportamentos, escolhas e percepções públicas.

A TIRANIA DA CONVENIÊNCIA

Ao analisar a revolução digital, o futurista chegou ao conceito da  “tirania da conveniência”. Em troca da facilidade e da rapidez dos serviços digitais, abrimos mão de valores inestimáveis como privacidade, autonomia e ética. “A tirania da conveniência não vem de fora, somos nós que impomos a nós mesmos”, diz o futurista.

Segundo Ekström, escolhemos entregar nossas fotos para a Apple, nosso e-mail e histórico para o Google, nossas conversas para plataformas em nuvem porque é “mais prático”. Em um sistema hiperprodutivo, que exige agilidade e conexão permanente, a praticidade deixou de ser um diferencial e virou uma necessidade básica – mesmo quando o preço é alto demais.

O conceito é levado a um novo patamar com a IA.Se antes já abríamos mão de privacidade e autonomia para ter serviços rápidos e práticos, agora abrimos mão também da própria noção de realidade.

Foto de Nicolás Maduro preso por  agentes dos EUA foi gerada por IA
Foto de Nicolás Maduro preso por agentes dos EUA foi gerada por IA (Crédito: Reprodução/ Redes Sociais)

A velocidade da criação sintética não apenas acompanha a ansiedade das redes como alimenta a ideia de que tudo precisa existir imediatamente. De que o caos pode ser explicado em dois prompts. 

O exemplo da Venezuela escancara isso. Uma operação extraordinária, inesperada até para o próprio Congresso dos EUA, não poderia ter sido documentada em tantos ângulos, em tantos detalhes, em tão pouco tempo.

Se fôssemos guiados pelo senso de realidade, não seria possível termos tantas imagens disponíveis em poucas horas. Mas a IA generativa oferece justamente o que a sociedade tomada pela tirania da conveniência quer: respostas instantâneas para questões complexas, evidências visuais para eventos caóticos, conteúdo pronto para preencher o vazio informacional.

NÃO HÁ UMA SAÍDA ÚNICA

O ciclo de desinformação e caos informativo em que nos encontramos não tem uma saída única. Na esfera individual, tudo começa pela educação midiática e pelo letramento em IA. Ekström fala também na ideia da “resiliência digital”,  ou seja, a busca por ferramentas alternativas às das big techs, quebrando, quando possível, a tirania da conveniência. 

O futurista destaca ainda a pressão por regulamentação para as grandes plataformas de tecnologia.  “Seria ingênuo da nossa parte esperar que empresas bilionárias sejam éticas por vontade própria”, comenta. 

Na visão de Diogo Cortiz, professor da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC/ SP) e pesquisador no Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br), há também um trabalho a ser feito na esfera tecnológica. “A tecnologia criou o problema e a tecnologia terá de ajudar a resolvê-lo”, argumenta.

Assim como a crise climática, a crise da desinformação vai piorar antes de melhorar, segundo Andreas Ekström.

Para ele, o risco real, hoje, não está no absurdo, mas no plausível: as imagens mais perigosas são justamente as que poderiam existir no mundo real, porque ultrapassam a capacidade humana de identificação visual. Nesse ponto, a verificação manual simplesmente não acompanha mais a velocidade da criação sintética.

Entre as soluções propostas estão formas de marcar as imagens manipuladas por IA com um selo ou pixels detectáveis. Marcas d’água invisíveis aos usuários, mas visível para algoritmos, como o SynthID, já estão sendo usadas pelas principais plataformas de IA. Foi dessa forma que os checadores de fatos descobriram que as imagens de Maduro eram falsas, passando-as por um programa que identificou a marca. 

O ponto que Cortiz defende é o da interoperabilidade, ou seja, a capacidade de sistemas diferentes trabalharem juntos para disponibilizar esses “selos de veracidade”. Sem interoperabilidade entre redes sociais e sistemas de mensageria (como WhatsApp e Telegram), qualquer solução corre o risco de se perder na própria lógica descentralizada da circulação de conteúdo, explica Cortiz.

IA FORA DOS LIMITES

Há outro elefante na sala quando se trata de deepfakes. Uma forma de o vício da conveniência se mostrar é na escolha dos líderes das empresas de IA. Startups promissoras do setor têm concentrado energia em aprimorar ferramentas de criação de vídeo e imagem.

O novo Banana Pro, do Gemini, lançado no ano passado, mostrou o nível de manipulação possível ao transformar fotos reais com tal precisão que muitos usuários afirmaram não poder mais confiar no que vêem na internet.

cabeça de mulher com uma lupa no lugar dos olhos

Em alguns casos, os líderes estão optando por pendurar mais serviços “adultos” em suas plataformas. Em outubro de 2025, Sam Altman anunciou que o ChatGPT vai suportar a criação de imagens e vídeos de tema erótico.

A última atualização do Grok, IA do X, de Elon Musk, ampliou ainda mais esse cenário ao incluir um recurso capaz de “despir” pessoas em fotos com um único comando — um tipo de tecnologia que já preocupa especialistas em segurança e privacidade, justamente por facilitar abusos em larga escala.

“Eu só queria que as startups e os pesquisadores de IA dedicassem mais esforços para resolver os problemas reais do mundo e menos em criar deepfakes de pornografia ou ferramentas para baratear a produção de filmes”, afirma Andreas Ekström. “Há tanto trabalho bom a ser feito e tantos desafios urgentes!”


SOBRE A AUTORA

Camila de Lira é jornalista formada pela ECA-USP, early adopter de tecnologias (e curiosa nata) e especializada em storytelling para n… saiba mais




Autor da Postagem

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